Informações sobre licença e salário maternidade.

Este blog tem por objetivo tirar dúvidas sobre amamentação e oferecer apoio para as mulheres que estão com dificuldades para estabelecer e manter o aleitamento materno. Dúvidas sobre salário maternidade, Clique aqui!

28/03/2013

SMAM 2013


TEMA DA SEMANA MUNDIAL DE ALEITAMENTO 2013:  

Apoio às mães que amamentam:próximo, contínuo e oportuno! 


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 O tema deste ano propõe uma reflexão e um incentivo aos grupos de mães e grupos de aconselhamento em amamentação.
Segundo Marcus Renato de Carvalho, do site Aleitamento.com, "mesmo quando as mães têm um bom começo na sua experiência de amamentar, muitas vezes, semanas ou meses depois do parto deixam de amamentar baixando as taxas de amamentação.  Quando as mães não estão frequentando os centros de saúde é um momento-chave para o aconselhamento comunitário."
Ainda segundo Marcus, o apoio para manter a amamentação pode ser realizado de muitas formas. Tradicionalmente a família dá um grande apoio. Porém, conforme mudam as sociedades, em particular com a urbanização crescente, é necessário um círculo de apoio mais amplo, que pode ser formado por profissional de saúde capacitado, conselheiros em amamentação, líderes da comunidade ou amigas que também são mães e pelos pais ou companheiros. 
Os Grupos de Mães (ou Grupos de Aconselhamento em Amamentação) apresentam custo /benefício positivo e é uma maneira produtiva de se chegar a muitas mulheres de forma mais frequente. Pode ser feito por qualquer pessoa da comunidade que esteja capacitada no apoio às mães. Estas pessoas treinadas e disponíveis abrem canais de comunicação para canalizar perguntas e temas de amamentação que as mães tenham interesse.   “A chave para uma boa prática de amamentação é ter apoio diário permanente em casa e na comunidade.”

Fonte: Aleitamento.com

21/03/2013

Síndrome de Down = Apoio em dobro para amamentar




Segundo Nursing... (1995), a necessidade do aleitamento materno em crianças com Síndrome de Down é considerada particularmente importante devido a hipotonia muscular e a susceptibilidade à infecções respiratórias, além do estabelecimento do vínculo mãe/filho.

Embora o bebê com Síndrome de Down deva receber aleitamento materno, sua sucção é insuficiente devido ao tônus muscular diminuído e, muitas vezes, a própria mãe não tem condições de amamentar devido ao estresse emocional ocasionado pelo impacto da notícia (Cooley & Graham, 1991).

Vários fatores contribuíram para a realização ou não do aleitamento. De acordo com os dados dessa
pesquisa, a forma como foi transmitida a notícia do nascimento de um filho com Síndrome de Down para
a mãe e o impacto desse fato no seu estado emocional, foi um fator importantíssimo para a concretização ou
não da amamentação. Esse fato foi decisivo também, na relação da mãe com o profissional de saúde - geralmente o pediatra - e conseqüentemente na orientação e estímulo para o aleitamento. Devido a sua
importância no contexto do tema, ela é a primeira categoria a ser interpretada e que foi elaborada a
partir das falas das entrevistadas.

(...)  Um dos fatores que diferenciou (...) foi a presença ou ausência de profissionais sensíveis e competentes na orientação e apoio a essas mulheres, por ocasião do nascimento de seu filho com a Síndrome e durante o processo de lactação. Para as mães que conseguiram amamentar, essa experiência se constituiu em momentos de satisfação, prazer e um profundo vínculo com seu filho. Aquelas que não tiveram sucesso no aleitamento, relatam sentimentos de impotência, frustração e por vezes, culpa.
Acreditamos que a maioria das mães consegue amamentar seus filhos com Síndrome de Down, para 
quem essa prática é de fundamental importância. Existem situações entretanto, com sérios obstáculos
a realização do aleitamento materno e os profissionais devem estar preparados para identificar esses casos e
orientar a mãe sobre a melhor conduta a ser seguida.

Fonte: http://www.scielo.br/pdf/rn/v12n1/v12n1a08.pdf

11/01/2013

Desejos de ano novo


De hoje em diante estaremos reforçando nossa capacidade de maternar. 
De parir como desejamos, de amamentar, de compreender e amar nossos filhos.
Nossas crianças nascerão com respeito e irão direto para o seio materno.
A amamentação nesta primeira hora protegerá a criança e ajudará as novas mães a formar vínculo, afinal amar se aprende amando.
A equipe da maternidade reforçará que a mulher pode amamentar, dará dicas de alívio para os desconfortos da adaptação e jamais separará os dois.
No seio materno esses bebês serão mais que nutridos: serão aconchegados, entendidos.
Terão livre acesso ao seio em qualquer hora e lugar, e cada ser humano que vir uma mulher amamentando dirá "que linda, parabéns!"
Esses bebês crescerão e engordarão muito bem assim, mamando quando e quanto quiserem, e tendo acesso ao leite posterior.
Quando o receio bater a mãe terá apoio do pai, dos familiares, do pediatra, do banco de leite, dos grupos de mulheres para assim prosseguir.
Até o sexto mês de vida a mãe se dedicará exclusivamente ao seu neném, deste modo ele não precisará de nenhum outro alimento para se desenvolver bem.
A introdução de alimentos após este período será gradativa e a mãe, confiante e paciente, mostrará ao seu filho novos sabores deste mundo.
A criança nunca provará leites de outras espécies, nem refrigerantes, balas e farinhas, afinal isto não contribui para uma alimentação saudável, rica e variada.
A lua de leite durará pelo menos 2 anos e, após este período, o desmame será lento, combinado com a criança.
Seguiremos escutando, observando e respeitando este pequeno ser que trouxemos ao mundo.

24/12/2012

Em família


A capacidade de amar se desenvolve principalmente no período perinatal e tem uma relação direta com a qualidade e duração do aleitamento materno e da qualidade de contato com o pai da criança. ♥
De: Educate Mujer

07/12/2012

Do que sentirei falta após amamentar...




1. Sentirei falta da paz ao amamentar, da obrigação de sentar e ali permanecer... Para os pais ficar parados não é apenas raro, é um deleite! 

2. Sentirei falta de deitar ao lado do bebê enquanto ele mama e brinca com seus pezinhos... Logo estará grande, então me aperto em seu pescocinho e bochechas fofas enquanto posso! 
3. Sentirei falta dos olhinhos brilhantes me olhando, da maneira como ele para de mamar e me fita curiosamente como se tivesse acabado de perceber que eu estava ali também. Quando era menor parava de mamar por um segundo e depois voltava, lentamente, se certificando de que estava tudo bem. Já maiorzinho ele para, sorri e volta a mamar em meio a este sorriso delicioso!
4. Sentirei falta de apertar as bochechinhas macias e os cabelinhos de neném com cheirinho de leite e sabão!
5. Sentirei falta do modo como o bebê ergue suas mãozinhas, como se mamar exigisse toda sua força. 
6. Sentirei falta de vê-lo batucando ritmadamente as mãozinhas e pezinhos enquanto mama. Ele me ama e sequer sabe o que é amor!

7. Sentirei falta de vê-lo balançando a cabecinha para os lados procurando o mamá!

8. Sentirei falta de cochilar ao lado do bebê que acabou de mamar, acordar com ele encostando o queixinho em meu seio. Como mandar essa fofura para a escolinha ser cuidada por outra pessoa? 

9. Sentirei falta de ser seu porto seguro. Não há quase nada no mundo de um bebê que não possa ser resolvido ou amenizado com a amamentação. Em vários aspectos da maternagem me sinto impotente, em contrapartida amamentar me faz sentir dona de um superpoder! 
10. Acima de tudo sentirei falta deste bebê que amamento. Logo ele estará correndo pela casa atrás de seus irmãos e me deixando para trás. Poderei vestir meu sutiã (não de amamentar), beber uma cerveja sem culpa, meus seios mudarão e eu nunca terei meu neném de volta. Tudo ficará bem como deve ser mas não significa que não sentirei falta!
Baseado na lista de Allison Tate

30/11/2012

Meu neném nasceu! E agora?



Parabéns pela chegada do seu filho! Você está conhecendo o grande amor da sua vida!
Se adaptando a ele e ele a você. É mais difícil do que parecia? Calma! Leia as dicas abaixo, siga seu coração e se precisar de apoio nos escreva!



- Abasteça a casa de alimentos, frutas, sucos, se possível antes do nascimento.

- Deixe claro ao seu companheiro e familiares como pretende cuidar da criança: amamentar, onde ela vai dormir, quem vai dar banho, cuidar das roupinhas.
- Procure estabelecer uma rotina: horários de banho, local de dormir, ambiente claro, arejado de dia.
- Tenha a mão toalhas de boca, fraldas de pano, blusas para você se trocar caso o bebê "golfe".
- Evite usar qualquer artifício na lida com o neném, é importante saber lidar com o que a natureza fornece! Sem bicos, mamadeiras, bicos de silicone, bombas ordenhadeiras, pomadas.
- Ao pedir apoio para amamentar procure prioritariamente o banco de leite humano ou, na impossibilidade, um consultor que se baseie em evidências científicas!
- Cuide de você! Banho, alimentação e sono adequados garantem a energia necessária para dar conta desta fase inicial. 


Algumas respostas, guia rápido!

1. Por que o recém-nascido chora tanto?
O bebê chora porque quer alguma coisa. Os motivos variam: fome, fralda suja, frio, calor, posição desconfortável, incômodo, irritação por barulho ou luz, estresse diante da movimentação de adultos, necessidade de contato! É claro que, às vezes, o cansaço e a falta de sono podem fazê-lo perder a paciência. Mas lembre: essa é a única forma de expressão do pequeno. Se você perceber que está irritada demais, peça ajuda a alguém, tente sentar, respirar fundo e se acalmar. Tudo vai dar certo, a cada dia fica mais fácil e vocês mais adaptados!

2. O que posso fazer para aliviar as cólicas?
Como são essas cólicas? São choros frequentes acompanhados de gases? É apenas o intestino sendo colonizado. Massagem, calorzinho na barriga e colo ajudam o bebê, esta fase passa, não é preciso medicar. Cuide de você! Uma mãe tensa deixa o bebê nervoso!

3. Posso dar água ou chá para meu bebê?
O leite materno contém 88% de água, não é necessário dar mais nem no calor. Os chás impedem a fixação do ferro do leite pelo bebê mas a mãe pode tomar à vontade e ele se beneficiará através da amamentação!

4. O neném tem gases e não faz cocô!
O neném que mama somente no peito pode ficar até 10 dias sem fazer cocô sem qualquer problema! Se perceber incômodo e irritação devido as tentativas de evacuação a mãe pode estimular a abertura do esfíncter anal com um algodão embebido em óleo vegetal.

5. É normal fazer cocô muitas vezes num único dia?
Sim! Inclusive uma vez após cada mamada.

6. O bebê precisa arrotar toda vez que mama?
Não! Alguns bebês mamam e não arrotam, ao conhecer seu bebê será mais fácil saber das necessidades dele.

7. O neném tem bolinhas no rosto e nos mamilos, isso é normal?

Sim, são hormônios, não há necessidade de medicar ou espremer, será resolvido com o tempo.

8. Posso sair pra passear com ele?
Sim! Observe roupa adequada para cada ambiente, use sling e sempre que possível mantenha uma blusa para você na bolsa de necessidades!

9. Será que ele está com frio? Devo caprichar nos agasalhos?

O bebê sente o mesmo frio que um adulto, é normal ter as extremidades mais roxinhas (mãos e pés), então não exagere em macacões e mantas no verão!


10. As visitas podem carregar o bebê?

Sim, peça que não interfiram na rotina e observe se não estão doentes!

11. Preciso acordá-lo de três em três horas para mamar?
Se não for prematuro não precisa acordá-lo! Ele estabelecerá um ritmo próprio de mamadas, é dormindo que o leite é metabolizado e o neném engorda e cresce.

12. Será que ele tem refluxo?
Dificilmente! Mantenha-o mais vertical após mamar para facilitar a digestão, o refluxo é uma condição fisiológica que se resolve com o tempo, raros casos precisam de medicação.

13. Ele mama demais, e se meu leite for fraco? 
Ele mama para se alimentar e para ter prazer! Sem relógios, somente oferecendo o seio sempre que o neném mamar e ate esvaziar não haverá falta de leite, confie! Leia sobre leite anterior e leite posterior aqui mesmo no blog.


14. Posso mexer no umbigo do meu filho?
Dê o banho normalmente, seque o umbigo e borrife ou pingue álcool em uma gaze para ajudar na cicatrização e esterilização do coto. Troque as gazes a cada banho até cair o coto (em média 10 dias após o nascimento), não há necessidade de enfaixar, o resultado da cicatriz é genético.

15. Posso comer qualquer coisa ao amamentar?
Sim, apenas observe algum alimento em especial se causa alguma reação no neném uma vez que o leite muda de gosto. Alimentos que podem causar desconforto são cafeína, laticínios e pimentas, genericamente falando. 

16. A "menstruação" pós parto dura quanto tempo?
A loquiação (cicatrização do útero) dura até 40 dias clareando de cor. Após este período o ciclo menstrual pode retornar porém isto é mais raro para as que amamentam pelo menos 6 vezes por dia (a cada 4 horas), tornando-se um método anticoncepcional seguro (método LAM). 

23/11/2012

Seis razões para esperar seis meses para introduzir novos alimentos

Nada de chás e caldinho de feijão! Agora sabemos a importância de amamentar exclusivamente até seis meses! Respeitar e esperar o tempo dos bebês, seu desenvolvimento, habilidade de deglutir e principalmente: aproveitar a máximo o leite materno, um alimento específico da mãe para cada um dos seus filhos! 
Não se apresse para começar a introdução de novos alimentos! Aqui algumas razões para esperar até os seis meses:


Seis razões para esperar

1. O Intestino do bebê precisa estar desenvolvido 
Os intestinos são a parte do corpo que filtra, peneirando as substancias potencialmente perigosas e permitindo os nutrientes saudáveis. Nos primeiros meses, esse sistema de filtração é imaturo. Entre 4-6 meses o revestimento interno do intestino do bebe passa por um processo de desenvolvimento chamado fechamento, onde o revestimento se torna mais seletivo sobre o que pode ou não passar. Para prevenir que comidas potencialmente alergênicas entrem na corrente sanguínea, os intestinos maturando secretam IgA , uma proteína imunoglobulina que age como uma proteção, recobrindo os intestinos e prevenindo a passagem de alergenos perigosos. Nos primeiros meses, a produção de IgA ‘e baixo (embora haja muito IgA no leite humano), e é mais fácil assim para que potenciais alergenos entrem no organismo do bebe. Uma vez que moléculas de comidas entram no sangue, o sistema imune pode produzir anticorpos contra aquela comida, produzindo uma alergia ao alimento. Por volta de 6-7 meses de idade, os intestinos do bebe estão maduros e capazes de filtrar os alergenos mais ofensivos. Por isso que é tão importante esperar a introdução de alimentos sólidos particularmente se existe uma historia de alergia alimentar na família do bebe, o que demonstra uma tendência do bebe desenvolver alergias também, e prestar muita atenção quando oferecer os alimentos aos quais outros membros da família são alérgicos.

2. Bebes jovens tem reflexo de propulsão da língua 
Nos primeiros 4 meses a língua tem um reflexo de propulsão para proteger os bebes contra engasgo.
Quando qualquer substancia incomum é colocada na língua, automaticamente empurra para fora e não para dentro. Entre 4-6 meses de idade esse reflexo diminue gradualmente, dando ao primeiro cereal ou fruta uma chance de entrar no estomago e não ser rejeitado pelo reflexo da língua. Não somente essa parte inicial do trato digestivo (língua, boca) não esta pronta para sólidos, como também a parte final (estomago e intestinos) também não estão “prontos”.

3. O mecanismo de engolir do bebê é imaturo. 
Outra razão para não ter pressa na introdução de alimentos sólidos é que a língua e o mecanismo de engolir podem não estar prontos para funcionar juntos. De uma colher de papinha a um bebê com menos de 4 meses, e ele vai mover essa comida ao acaso em sua boca, empurrando um pouco da papinha de volta a faringe onde é engolida, um pouco vai para espaços grandes entre as bochechas e gengivas, um pouco vai pra frente entre lábios e for a para o queixo. Ou seja, o bebe não tem um bom controle da mastigação e a direção para engolir, o que vai ser desenvolvido entre 4-5 meses de idade. Nessa fase o bebe desenvolve a habilidade de mover a comida do começo da boca para o fundo ao invés de deixar a comida flutuar em todo lugar e cuspir boa parte disso. Antes dos 4 meses de idade, o  o bebê é preparado para sugar, mas não mastigar.

4. Bebes precisam ser capazes de sentar. 
Nos primeiros meses, os bebes associam comida com carinho. Se alimentar é uma interação intima, e bebes frequentemente associam o ritual de comer com pegar no sono nos braços ou no peito da mãe. A mudança de um peito suave e morno para uma colher fria, dura, pode não ser bem vinda com uma boca aberta. Dar papinhas ao bebe é uma maneira mais mecânica e menos intima de “entregar” comida. Requere que o bebe sente num cadeirão de comer, uma habilidade que a maioria dos bebes desenvolvem por volta de 5-7 meses. Segurar um bebe na posição tradicional de mamar não é a melhor maneira de introduzir papinhas, porque seu bebe vai achar que vai ser amamentado (ou tomar mamadeira) e vai achar que algo esta errado e vai provavelmente rejeitar a comida.

5. Bebes novos não são capazes de mastigar. 
Dentes raramente aparecem antes de 6-7 meses, outra evidência forte de que os bebês muito novinhos são designados para sugar e não mastigar. Nos estágios pré-dentes, entre 4-6 meses, bebês tendem a babar, e a saliva que ele baba é rica em enzimas, que ajudarão a digerir as comidas sólidas que virão em breve.

6. Bebês com mais de 6 meses gostam de imitar pais ou quem cuida deles, gostam de imitar o que vêem. Eles vêem você comer um legume e curtir mastigar isso. Eles querem pegar um garfo e fazer o mesmo. 

Baseado no original: Pergunte ao Dr.Sears
Recomendamos a leitura: Guia alimentar para crianças menores de 2 anos, do Ministério da Saúde. 

16/11/2012

Candidíase - monilíase

A infecção mamilar é um problema que está crescendo na lactação, sendo que a causada por fungos (candidíase mamilar) ainda é pouco estudada e elucidada. A Candida albicans, um fungo comensal encontrado freqüentemente na vagina e no trato gastrointestinal de seres humanos, tem sido responsabilizada por infecção superficial e localizada das mamas em mulheres lactantes, apresentando fissuras e dor, sendo característica da infecção pela levedura e podendo ser a principal causa de abandono prematuro da lactação.
As lesões, conhecidas no Brasil pela denominação popular de sapinho, são mais comuns em recém-nascidos que ainda não colonizaram sua orofaringe, que por isso possui um pH baixo, condição que facilita a colonização da cavidade oral. Clinicamente inicia-se por pequenos pontos esbranquiçados na mucosa que rapidamente se tornam confluentes, para formar pseudomembranas de coloração esbranquiçada, aderidas à mucosa sobre um fundo eritematoso, que pode ser visto quando são removidas. As localizações mais comuns na cavidade oral são as mucosas que revestem bochechas, ponta da língua e palato mole. 



Entretanto, numa forma mais extensa, pode ser observada uma invasão maciça, com extenso comprometimento da cavidade oral, dificultando muitas vezes a deglutição, sendo esta entidade mais observada em recém-nascidos de mães portadoras de candidíase vulvovaginal.

Atualmente a C. albicans tem sido responsabilizada por candidíase mamilar em mulheres lactantes, sendo a dor e o ardor no mamilo de origem desconhecida as principais queixas de infecção por essa levedura.



Fonte: Cadernos de atenção Básica - Ministério da Saúde 2009

1.9.6 Candidíase (monilíase)
A infecção da mama no puerpério por Candida sp (candidíase ou monilíase) é bastante
comum. A infecção pode atingir só a pele do mamilo e da aréola ou comprometer
os ductos lactíferos. São fatores predisponentes a umidade e lesão dos mamilos e uso,
pela mulher, de antibióticos, contraceptivos orais e esteróides. Na maioria das vezes é a
criança quem transmite o fungo, mesmo quando a doença não seja aparente.
A infecção por Candida sp costuma manifestar-se por coceira, sensação de queimadura
e dor em agulhadas nos mamilos que persiste após as mamadas. A pele dos mamilos
e da aréola pode apresentar-se avermelhada, brilhante ou apenas irritada ou com fina
descamação; raramente se observam placas esbranquiçadas. Algumas mães queixam-se
de ardência e dor em agulhada dentro das mamas. É muito comum a criança apresentar
crostas brancas orais, que devem ser distinguidas das crostas de leite (essas últimas são
removidas sem machucar a língua ou gengivas).
Uma vez que o fungo cresce em meio úmido, quente e escuro, são medidas preventivas
contra a instalação de cândida manter os mamilos secos e arejados e expô-los à
luz por alguns minutos ao dia.

1.9.6.1 Manejo
Mãe e bebê devem ser tratados simultaneamente, mesmo que a criança não apresente
sinais evidentes de candidíase. O tratamento inicialmente é local, com pomadas* por duas semanas. As mulheres podem aplicar o creme após cada mamada e ele não precisa ser removido antes da próxima
mamada. (...)
Violeta de Genciana a 0,5% pode ser usada nos mamilos/aréolas e na boca da criança uma vez por dia por três a quatro dias. Se o tratamento tópico não for eficaz, recomenda-se comprimidos* por 10 a 20 dias. Além do tratamento específico contra o fungo, algumas medidas gerais são úteis durante o tratamento, como enxaguar os mamilos e secá-los ao ar após as mamadas e expô-los à luz por pelo menos alguns minutos por dia. As chupetas e bicos de mamadeira são fontes importantes de reinfecção, por isso, caso não seja possível eliminá-los, eles devem ser fervidos por 20 minutos pelo menos uma vez ao dia.

Texto completo: http://www.redeblh.fiocruz.br/media/am_e_ac[1].pdf

(*): Não citamos nomes de medicamentos neste site. Consulte um banco de leite ou médico amigo da amamentação.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1676-24442004000500004&script=sci_arttext

09/11/2012

Teoria da exterogestação



Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do
maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e
calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam
nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos.
Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não
passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos,
como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período
após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal
de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em
necessidade constante de cuidado.
O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer
outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.
A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e
que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.


Em algumas culturas, como na tribo Kung, bebês raramente choram por longos períodos
e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao
corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A
relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.
Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas
podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extrauterina.


Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele
voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil. É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber
como reproduzir as condições intra-uterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh", mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).
A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes
SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.


1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)
A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos.
Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados,
freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo
da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.
Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, "de volta ao útero". Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.
Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.
Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem.
12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia
apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranquilos e calmos.

2. Posição de Lado
Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na
posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos,
quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.
Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a
cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com
braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada,
encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.
O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o
útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem
poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.

3. Shhhh Shhhh - O som favorito do bebê
O som "shhh shhh" é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do
mar relaxante.
Para bebês novinhos, "shhh" é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24
horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado
a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na
ponta dos pés, tentando fazer silêncio!
Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça "shhh", "shhh". Aumente
o volume do "shh" até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar "calar"
um bebê choroso fazendo "shh", mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.
Na primeira vez fazendo "shhh", seu bebê deve calar pós uns 2 minutos. Com a prática, você
será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais
velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.
Para substituir o "shhh", pode-se ligar:
- secador de cabelos ou aspirador de pó
- som de ventilador ou exaustor
- som de água corrente
- um CD com som de ondas do mar
- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
- máquina de lavar louças
O barulho do carro ligado também acalma a criança.

4. Balanço
"A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento.
Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo - movimento,
movimento, movimento."
(Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos - visão, audição, tato, paladar e olfato - geralmente
esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.
Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso
porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações
de "movimento" dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar ?
1. Carregando o bebê num "sling" ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta. 

5. Sucção
No útero o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é 
recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas
também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às
mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio
incorretamente. É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular "negativamente" os pais) não tem sentido. Bebês novinhos simplesmente não têm maturidade neurológica para tanto.

Como enrolar o bebê



Leia mais aqui (em inglês)
Sling 


Faz praticamente todas as funções da exterogestação ao mesmo tempo e permite ao pai e outras pessoas ajudar a acalmar o bebê quando a mãe precisa de descanso.


Videos sobre enrolar o bebê:
http://www.youtube.com/watch?v=B8FheWM83rY
http://www.youtube.com/watch?v=Vu3bcYs07zE

Vídeo de barulho estático
http://www.youtube.com/watch?v=rArmRP49glM

Links para baixar o som do útero materno
http://www.4shared.com/file/10517119/c2fe183/15-Johnson_sBaby-
LocuoBabyCalm.html
http://www.4shared.com/file/10517628/554a9453/16-Johnson_sBaby-
BabyCalm_SomdoteroMaterno_.html

Bibliografia:
- The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.
- Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New York.

04/09/2012

Amamentação continuada




Desmame Natural? Isso existe?
por Elsa Regina Justo Giugliani*

*Pediatra, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, Especialista em Aleitamento Materno pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners)

O homem é o único mamífero em que o desmame (aqui definido como a cessação do aleitamento materno) não é primariamente determinado por fatores genéticos e instinto, sendo fortemente influenciado por fatores socioculturais. Hoje, ao contrário do que ocorreu por pelo menos dois milhões de anos, ao longo da evolução da espécie humana, a mulher opta (ou não) pela amamentação e, influenciada por múltiplos fatores, decide por quanto tempo vai (ou pode) amamentar. Muitas vezes, as preferências culturais (não amamentação, introdução precoce de outros alimentos na dieta da criança, amamentação de curta duração) entram em conflito com a expectativa da espécie. Algumas conseqüências dessa divergência já puderam ser observadas, como desnutrição e alta mortalidade infantis, sobretudo em áreas menos desenvolvidas. Porém, as conseqüências a longo prazo ainda não são totalmente conhecidas, já que transformações genéticas não ocorrem com a rapidez com que podem ocorrer mudanças de hábitos. Começam a ser mostradas evidências de que o não amamentar segundo as expectativas da espécie pode ter repercussões negativas ao longo da vida dos indivíduos. Assim, a não amamentação ou amamentação sub-ótima pode favorecer o aparecimento de doenças alérgicas, diversas doenças do sistema imunológico, alguns tipos de cânceres, obesidade, diabete e doenças cardiovasculares, além de interferir negativamente no desenvolvimento oro-facial. Provavelmente, com o aparecimento de novas pesquisas nessa área, outros males serão relacionados com os hábitos “modernos” de alimentação infantil, mas alguns aspectos dificilmente podem ser quantificados, especialmente os relacionados com a psique humana.
Atualmente, em especial nas sociedades ocidentais, a amamentação é vista primordialmente como uma forma de alimentar a criança, sob o controle total dos adultos. Assim, perdeu-se a percepção da amamentação como um processo mais amplo, complexo, envolvendo intimamente duas pessoas e com repercussão na saúde física e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, além de repercussões para a saúde física e psíquica da mãe. Hoje, em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada (cujo conceito varia de acordo com a “convenção” da época e do local) freqüentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê. Perdeu-se a noção de que o desmame não é um evento e sim um processo, que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, assim como nenhuma criança começa a andar antes de estar pronta, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade para tal. Em harmonia com esta linha de pensamento, Dr. William Sears, um antigo pediatra, recomendava “Não limite a duração da amamentação a um período pré-determinado. Siga os sinais do bebê. A vida é uma série de desmames, do útero, do seio, de casa para a escola, da escola para o trabalho. Quando uma criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronta, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional”. Essas palavras sábias podem ter pouco respaldo em sociedades individualistas, que tendem a acelerar o processo de independização do ser humano, substituindo o seio por métodos de auto-consolo como chupetas, paninhos, mantinhas, ursinhos, etc.
Segundo diversas teorias, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a sete anos. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. Apesar dessa recomendação, muito poucas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. As razões para a não amamentação prolongada variam desde dificuldade em conciliar a amamentação com outras atividades, até crença de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico. Uma parcela de mães, apesar de demonstrar desejo em continuar a amamentação, sente-se pressionada a desmamar por profissionais de saúde, seus maridos, parentes, vizinhos e amigos. Pois, para a manutenção do paradigma que sustenta a afirmação de que amamentação prolongada não é natural, foi necessário criar vários mitos tais como o de que uma criança jamais desmama por si própria, que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança e que a criança que mama fica muito dependente. Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. Além disso, o desmame forçado pode gerar insegurança na criança, o que dificulta o processo de independização.
O desmame pode ser agrupado em quatro categorias básicas: abrupto, planejado ou gradual, parcial e natural. Sob a ótica de que o desmame é um processo de desenvolvimento da criança, parece razoável afirmar que o ideal seria que ele ocorresse naturalmente, na medida em que a criança vai adquirindo competências para tal. No desmame natural a criança se auto-desmama, o que pode ocorrer em diferentes idades, em média entre dois e quatro anos e raramente antes de um ano. Costuma ser gradual, mas às vezes pode ser súbito, como por exemplo em uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite, que se altera, e o volume, que diminui). A mãe também participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade. 
O Quadro 1 apresenta os sinais indicativos de que criança pode estar pronta para iniciar o desmame:

• Idade maior que um ano
• Menos interesse nas mamadas
• Aceita variedade de outros alimentos
• É segura na sua relação com a mãe
• Aceita outras formas de consolo
• Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais
• Às vezes dorme sem mamar no peito
• Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar
• Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar

É importante que a mãe não confunda o auto-desmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê. Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano, é de início súbito e inesperado, a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta. Essa condição usualmente não dura mais que 2-4 dias.

Algumas vantagens do desmame natural encontram-se no Quadro 2:

• Transição tranqüila, menos estressante para a mãe e a criança
• Preenche as necessidades da criança até elas estarem maduras para o desmame
• Fortalece a relação mãe-filho
• Ajuda a mãe a ser menos ansiosa com relação aos estágios de desenvolvimento de seu filho

O desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais.
Muitas vezes a mulher se depara com a situação de querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. Nesses casos, o profissional de saúde, em especial o pediatra, deve respeitar o desejo da mãe e ajudá-la nesse processo. O quadro 3 apresenta os fatores que facilitam o encorajamento do bebê para o desmame.

• Mãe segura de que quer (ou deve) desmamar
• Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança
• Flexibilidade, pois o curso é imprevisível
• Paciência (dar tempo à criança) e compreensão
• Suporte e atenção adicionais à criança – mãe não deve se afastar neste período
• Ausência de outras mudanças ocorrendo: Ex.: controle dos esficteres
• Sempre que possível, desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada 1-2 semanas.

A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras, chamando amiguinhos, entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. A participação do pai no processo, sempre que possível, é importante. A mãe pode também evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar, por exemplo, não sentar na poltrona em que costuma amamentar.

Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo, se possível. A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.
As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, tais como: mudança de tamanho das mamas, mudança de peso e sentimentos diversos tais como alívio, paz, tristeza, depressão, culpa e arrependimento.
Já se avançou muito na valorização do aleitamento materno nos últimos tempos. A recomendação da duração da amamentação passou de 10 meses na década de 30 para dois anos ou mais nos dias de hoje. Atualmente, fala-se em desmame natural como a forma ideal de desmame, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que esse processo ocorra. Apesar desse avanço ainda estamos longe de encararmos o desmame como um marco do desenvolvimento da criança. Para chegarmos a este estágio, faz-se necessário entender e enfrentar as circunstâncias que, segundo Souza e Almeida, “ultrapassam a natureza e desafiam a cultura e a sociedade”.

Às mães que amamentam após um ano

Por Carlos González
As mães que continuam amamentando após um ano enfrentam muitos problemas, sobretudo devido às críticas de quem crê que isso “não é normal” e as ameaçam com todo tipo de doenças e catástrofes.
Na realidade, não se conhece qual é a idade “natural” do desmame no ser humano. Cada cultura tem a esse respeito seus próprios costumes, apesar de que nenhuma desmama tão cedo quanto a cultura ocidental do século XX. A antropóloga norte-americana Katherine Dettwyler (1) abordou a questão a partir da zoologia comparada, generalizando uma hipotética idade para o desmame no ser humano a partir dos dados referentes a outros primatas, a partir de vários parâmetros que se correlacionam de forma mais ou menos exata com a amamentação:
a) Segundo o peso do nascimento.
Costuma-se dizer que os mamíferos se desmamam quando triplicam o peso do nascimento. Isso só é válido para os animais pequenos; os animais de tamanho parecido com o nosso se desmamam após quadruplicar o peso do nascimento, o que seria aproximadamente aos dois anos e meio.
b) Segundo o peso do adulto.
Muitos mamíferos se desmamam ao alcançar aproximadamente a terça parte do peso do adulto. Como em nossa espécie o homem adulto é maior, isso representaria um desmame mais tardio: os meninos com sete anos (ao alcançar os 23 kg), e as meninas um pouco antes dos seis anos (com 19 kg).
c) Segundo o peso da mãe.
Os pesquisadores Harvey e Clutton-Brock constataram que, em um grande número de primatas, a idade do desmame em dias é igual ao peso de uma fêmea adulta em gramas multiplicado por 2,71. Aplicando essa fórmula a uma mãe de 55 quilos, corresponderia a desmamar aos três anos e quatro meses.
d) Segundo a duração da gestação.
A relação entre a duração da amamentação e a duração da gestação é muito variável entre os primatas, mas parece ter relação com o tamanho dos indivíduos. Nos macacos pequenos, essa relação costuma ser inferior a dois; mas entre nossos parentes mais próximos (em parentesco e tamanho), a relação é de 6,4 para o chimpanzé e de 6,18 para o gorila. Se assumirmos que para o ser humano essa relação deverá ser também superior a 6, o resultado é um mínimo de quatro anos e meio de amamentação.
e) Segundo a dentição.
O desmame pode acontecer em muitos primatas quando ocorre a erupção do primeiro molar permanente, o que corresponderia aos 6 anos do ser humano.
Em conclusão, Dettwyler supõe que a idade normal do desmame no ser humano é entre os dois anos e meio e os sete anos.
No congresso espanhol de grupos de mães, ocorrido no ano de 2001 em Zaragoza, realizamos uma pesquisa para averiguar qual era a duração da amamentação entre as mães participantes, e que vantagens e desvantagens encontravam as mães que amamentam bebês após um ano.
Trata-se de uma amostra altamente selecionada (mães com suficiente interesse e meios econômicos para participar do evento), e que de modo algum representa a sociedade espanhola. Mas nos permite afirmar que a amamentação depois de um ano existe, ainda que seja em um grupo pequeno.
Responderam ao questionário 95 mães que juntas têm 174 filhos. Trabalham fora de casa 74, e 78 haviam amamentado mais de um ano. Somente 15 mães haviam praticado amamentação tandem (ou seja, amamentado dois filhos de idades diferentes ao mesmo tempo).
Portanto, não é preciso ser dona de casa para amamentar por mais de 1 ano.

O resultado foi o seguinte:
Formação – total – Amamentaram por mais de 1 ano
Graduação – 31 – 30
Cursos seqüenciais/tecnólogo – 32 – 22
Curso técnico – 17 – 14
Ensino médio – 13 – 10
Ensino fundamental – 2 – 1
Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.
No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.
A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação.
O resultado foi o seguinte:
Formação – total – Amamentaram por mais de 1 ano
Graduação – 31 – 30
Cursos seqüenciais/tecnólogo – 32 – 22
Curso técnico – 17 – 14
Ensino médio – 13 – 10
Ensino fundamental – 2 – 1
Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.
No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.
A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação.

Responderam da seguinte forma à pergunta de se as pessoas relacionadas apoiaram ou criticaram a amamentação (pergunta feita a todas as mães, incluindo as que desmamaram antes de 1 ano de idade):
quem – apóiam – criticam
Marido ou companheiro – 77 – 6
Amigas ou vizinhas – 47 – 53
Mãe ou sogra – 44 – 39
parteira – 27 – 6
Outros parentes – 22 – 43
pediatra – 15 – 36
enfermeiras – 6 – 19
Médico ou GO – 5 – 9
Outros – 29 – 14
Considerando que cada mãe pode ter vários amigos ou vários pediatras, alguns grupos apareciam ao mesmo tempo aprovando e criticando. Observamos que o papel dos profissionais de saúde é em geral negativo, salvo no caso das parteiras. E, em todo caso, parecem influenciar menos, tanto para o bem como para o mal, que parentes e amigas. Como se nos mantivéssemos à margem.
Destaque muito positivo para o papel do marido, que quase nunca critica e que é a pessoa que mais aprova. Duvidamos que isto reflita um grande interesse pela amamentação entre os maridos espanhóis em geral, e achamos que , na verdade,aconteceu uma seleção natural: o apoio incondicional do marido é quase imprescindível para que uma mãe consiga amamentar, desfrutar da sua experiência, envolver-se num grupo de apoio e participar de um congresso sobre amamentação.
Por último, perguntamos o que foi mais agradável e o que foi mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:
O que é mais agradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:
Contato físico, olhar, vínculo – 36
Relação especial, amor, algo teu – 34
Felicidade materna, realização pessoal – 20
Comodidade e liberdade – 14
O melhor alimento – 12
Bebê feliz – 10
Consolo ou calma para o bebê – 8
É algo natural – 3
Mais saudável para o bebê – 6
Carinho – 1
O que é mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:
Críticas de outras pessoas – 33
Nada – 14
Mamadas noturnas – 10
Pedir muito quando a mãe não deseja – 4
Difícil de conciliar com irmãos maiores – 4
Mordidas – 4
Desmame – 4
Falta de informação profissional e de apoio social – 4
Dependência – 4
Sensação de que não vai deixar de mamar – 2
Não poder sair de noite – 2
Dificuldade para conciliar com inquietudes maternas – 2
Desinformação (medo absurdo) – 1
Problemas mamários (mastites, rachaduras) – 1
Angústia – 1
Conforme era esperado, essas mães encontram muito mais satisfações que problemas (de outro modo, não o teriam feito). Entre as vantagens se dá muito mais importância aos aspectos afetivos e psicológicos que à nutrição e à saúde física; enquanto que entre os inconvenientes destacam-se as críticas recebidas de outras pessoas, e um grande número de mães espontaneamente afirmam que não houve nada desagradável em sua experiência.
Portanto, a amamentação após uma ano de idade do bebê é uma realidade entre algumas mulheres espanholas, sobretudo de classe média-alta, e parece que a prática está crescendo. É preciso que nós profissionais de saúde adotemos um papel mais efetivo de apoio às mães que amamentam, e que contribuamos na educação da população para que estas mães recebam o respeito que merecem.
(1) Stuart-Macadam P, Dettwyler K. Breastfeeding. Biocultural perspectives. Aldine de Gruyter, New York, 1995
Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas